Resumo biográfico do Maestro Amâncio escrito pelo próprio

História de Minha Vida é o resumo biográfico do Maestro Amâncio escrito pelo próprio no ano de 2004

Antonio Amâncio de Oliveira, bastante conhecido no vale, como Toinho de Dorinha. Nascido aos 02 de setembro de 1939. Filho de José Rosas de Oliveira e Umbelina Amâncio Cordeiro, natural de Piancó-PB. 

Enio Ricardo | Apurado.Com

Quando criança vivia em um sítio chamado Riacho da Cruz, neste comecei a estudar o alfabeto com a senhorita Iracy Azevedo e, logo a melhorar os conhecimentos. Fui trazido para cidade e sendo matriculado fui estudar em uma escola no Alto Belo Horizonte, bairro da cidade, com a jovem Francisca Lima de Azevedo “Chiquinha Azevedo”.

No mesmo ano fui transferido para outra escola que tinha como professora a senhorita Maria Diniz. E aí terminando o 3º ano primário como 1º da classe, fui agraciado pelo vigário da época Padre Luiz Laíres da Nóbrega, que era também diretor do ginásio Santana, então me deu farda, material escolar e matrícula. E, ao terminar o 1º grau não tive como estudar fora…

Foi aí onde fui obrigado a abraçar o trabalho, sendo eles: servente de pedreiro; trabalhei com animais; carregando telhas, tijolos; vendi pães, bolos e docinhos nas escolas; entregava jornais aos assinantes; cobrava mensalidade do Piancó Clube; fui aprendiz de marceneiro, fui vendedor de tecidos da loja do Senhor Severino de Paula; fui auxiliar do escritório do Sr. Gil Galdino em Campina Grande e no armazém do Sr. Osmar Azevedo.

Sinto-me honrado porque tudo que fiz acima escrito foi com dignidade só que me faltava algo para ser feliz, pois carregava na mente o desejo de aprender música e, em 1957, foi aberta uma Escola de Música ministrada pelo Maestro Elizeu Veríssimo… Aí então eu disse comigo mesmo: chegou a minha vez. Matriculei-me e comecei a estudar, chegando a formar na Banda de Música no 1º semestre do referido ano tocando os seguintes dobrados: Quarto Centenário, Dois Corações, Saudade de Minha Terra e Recordação de Nazaré.

Assim toquei o barco pra frente, aprendendo a tocar cavaquinho, fui componente da Orquestra Vale do Piancó. E no ano de 1959, no dia 29 de maio, fui preso por calúnia de determinadas pessoas de minha terra, passando 6 meses e 3 dias até quando foram descobertos realmente os autores, momento este em que o Juiz decretou anulação do inquérito e me pôs em liberdade. Tendo em pouco tempo me deslocado para Campina Grande e lá fiz teste na Banda Filarmônica do Município, onde fui aprovado, passando um pequeno período. Aproveitei frequentando uma escola de música particular do Senhor Maestro Nilo Lima, diplomado pela Escola Técnica do Rio de Janeiro, onde aprendi o suficiente para o que exerço.

Depois de tudo em 1962, fui até a cidade de Manaíra-PB com a finalidade conhecer meus parentes que lá existiam, tendo arranjado um namoro com a senhorita Joana Alves Barbosa, e no próximo ano me casei e deste casamento nasceram: José Carlos de Oliveira, Maria do Socorro de Oliveira, Maria Carlacy de Oliveira, Vânia Maria de Oliveira, Antônio Amâncio de Oliveira Júnior e Umbelina Amâncio Neta, e de convivência  particular, nasceram Enizevaldo Andrade de Oliveira e Edvanildo Andrade de Oliveira, Joana Darc e Roseny.

No ano de 1966, pai dos 4 primeiros filhos, fui a Capital do Estado onde me incluí na Polícia Militar, como músico chegando a produção de 1º Sargento no ano de 1970. Com o clarinete e, com uma certa experiência, formei uma Orquestra de Frevo, denominada “Amâncio e sua Orquestra”, fazendo os melhores carnavais nas cidades: João Pessoa, Campina Grande, Patos, Natal, Catolé do Rocha, Pombal, Piancó e Itaporanga.

Foi aí onde surgiram vários convites para ensinar música. Tendo aceitado, formei as determinadas bandas: Serra Branca, Pocinhos, Pedra Lavrada, Brejo do Cruz, Diamante, Aguiar, Bonito de Santa Fé, Catingueira e Coremas.

Fui maestro de Patos, Conceição, Piancó e de Itaporanga no Ginásio Diocesano, este tem como Diretor o Padre José Sinfrônio de Assis que dentro do próprio Colégio formou uma excelente Banda Filarmônica, elevando aquela cidade, num mais alto padrão musical deste país, sem falar nos demais músicos, ressalvo o nome do excepcional Trombone de Vara, Radegundes Feitosa Nunes da Costa, que foi trombonista de valor naquela orquestra aos seus 13 anos. Por outro lado, sente-se regozijada a cidade de Pombal – PB por ter também um filho como o melhor saxofonista da Paraíba ou do Nordeste, José de Arimateia Formiga Veríssimo.

E dando sequência ao conteúdo de minha história, em 1980, começou a desmanchar o 1º casamento e no ano seguinte, consegui outro com Lúcia de Fátima Faustina de Castro que nasceram os seguintes filhos: Enia Sheila de Oliveira Castro, Enio Ricardo de Oliveira Castro, Enidária de Oliveira Castro e Ericlênio Faustino de Oliveira Castro, sendo estes, músicos de clarinete e sax.

E atravessando veredas com espinhos, cheguei a compor 22 dobrados sendo eles: Dobrado Antônio Lopes, Dr. Edvaldo Motta, Dr. José Maria Bastos, Prefeito João Félix, Sabino Dias de Almeida, Dr. Antônio Pedro, Edvaldo Leite de Caldas, Gov. Ronaldo Cunha Lima, Cap. José Neves, Ten. Kleber, Afonso Bacalhau, Cel. Lindembergue, Cap. Duarte, Meus Aprendizes e outros…

Também compus 20 choros

Tenho alguns gravados como “Maxixando com o Sax”, gravado por Serginho do Sax e muito me envaidece pela composição do choro “Recordando Pedroca”, pois este quando executado traz aparências de suas características musicais. Relembro-me bastante pelo seu gosto agradável, quando ele ensinava me as escalas de clarineto em sua residência, registro esse ato muito mais por gratidão, apesar de ser Pedro Lima de Azevedo “Pedroca” imortal para os seus conterrâneos como tabelião de registro civil mais que clarinetista e saxofonista.

Registro também as saudades que tenho do meu inesquecível maestro Elizeu Veríssimo de Souza que me ensinou os primeiros passos da bela arte e, ele me dizia: “Toinho ande em busca da estrela que te guia

 E recordando esta linda frase, aproximadamente em 1996 fui compor música popular, pois tinha uma pequena experiência de Marcas Carnavalescas, cheguei a compor 120 músicas populares, entre forró, xote, arrasta-pé e samba, chegando a gravar 2 CD’s. E por tudo isto que fiz, foi por amor a minha terra, infelizmente não tive o prazer de aplicar meus conhecimentos aos meus conterrâneos, pois nunca fui reconhecido pelos Poderes Públicos de minha terra. Nota-se que os jovens desta terra têm bastante talento, mas os “poderosos chefões” dão pouca ao tal problema, de desenvolvimento cultural. Sinto-me envergonhado em dizer que trabalhei 3 meses como maestro no Centro Cultural de minha terra, esperando instrumentos e material para ensinar e nada… fui chegando aquela escola, no entanto fui obrigado a entreter os alunos, fazendo uma banda de flauta doce, aonde chegamos a tocar no Clube Social em parque de vaquejada em Evento de Rotary e, em um belo show no salão de Vale Show na cidade de Itaporanga…

E em poucos dias fui convidado pelo senhor prefeito que estava dispensando do trabalho, razão pela qual a prefeitura não podia pagar o contrato de razão ao que o meu vencimento título de ensinar aos jovens de minha terra. Daí, cheguei a conclusão que minha terra natal foi de encontro às minhas expectativas.

E tudo concluído, tudo que eu disse o que fiz o que sofri, as alegrias e tristezas são fatos memoráveis. No entanto, agradeço ao bom Deus por haver me dado o dom da música e um coração amável e cheio de felicidade para todos…

Palavras do próprio Maestro Amâncio no ano de 2004…

(esses trechos foram a meu pedido para um dia eu registrar sua biografia)

Vítima de infarto fulminante em consequência de cigarros e sedentarismo, nosso Mestre se foi em 20 de março de 2007, sendo seu último suspiro nos braços de seu filho Enio Ricardo às 2h da madrugada na Praça Mário Leite em Piancó.

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